Resenha: O Silêncio do Túmulo - Arnaldur Indridason / Companhia das Letras


Ano de Lançamento: 2002
Título Original: Grafarpögn
Páginas: 315

Hoje com 23 anos, eu só presenciei uma vez algum tipo de violência doméstica, foi quando eu era criança na casa de uma amiga, eu nunca me esqueci daquela cena, aquilo me deixou chocada, e hoje tanto anos depois qualquer tipo de violência doméstica ainda me deixa, mesmo que seja em um livro que é uma ficção, não consigo deixar de pensar quantas mulheres/crianças passam por isso e não tem a oportunidade de se defenderem, isso ao contrário do que muita gente gosta de acreditar não é uma realidade distante, não é algo que acontece só na periferia, pelo contrário esta entranhada em todas as camadas da sociedade.

Eu comecei com esse breve relato por que a violência doméstica é um tema abordado no livro, e é algo que me deixa tão revoltada com o ser humano de uma forma geral que eu precisava falar um pouco disso antes de começar a resenha de fato.

O Silêncio do Túmulo é um livro policial um pouco diferente, esta longe do ritmo frenético de alguns outros livros do gênero que eu já li, como os livros do Harlan Coben e James Patterson, se passa num país totalmente diferente e do qual eu só tinha “visitado” uma vez ao ler Viagem ao centro da terra, a Islândia e a investigação é de um crime que provavelmente ocorreu há mais de 70 anos.

Uma ossada humana é encontrada parcialmente enterrada em um terreno nos arredores de Reykjavík, de acordo com os especialistas a ossada deve ter por volta de 60/70 anos, então se houve de fato um assassinato ele ocorreu na época da Segunda Guerra Mundial, mas isso não é um empecilho para o detetive Erlendur e sua equipe, que tratarão o caso da mesma forma que qualquer outro.

Achar testemunhas que possam esclarecer o caso de alguma forma é difícil, por que a maioria já morreu ou esta muito velha para dar uma explicação lúcida. Mas com jeito os detetives vão encontrando pistas e aos poucos o caso vai sendo elucidado.

Enquanto acompanhamos a história no tempo real, somos apresentados a uma família que viveu na colina por volta de 1940 e pode ter relação com o caso. Eu preciso confessar que eu morri de ódio nessas partes, pois o marido batia tanto na mulher e ela não entendia o porquê de tanta violência – ela não fazia nada, e nem que fizesse - quando tentava fugir, ele ia atrás, ameaçava os filhos – que ele não amava – era o típico corvadão fora de casa era legal com todo mundo, gentil, até sorria – como o próprio filho dele constatou - mas em casa era o diabo na terra.

Também acompanhamos – em segundo plano – a vida familiar conturbada do detetive Erlendur, sua filha com quem não tinha muito contato, esta em coma por excesso de uso de drogas, e nas visitas que ele faz a ela nós vamos descobrindo mais sobre ele, sobre sua infância, sobre seus traumas, sobre o porquê ele abandonou a família.

Como eu disse antes o livro tem um ritmo mais lento, mas nem por isso é menos interessante, por que o mais importante é o aspecto psicológico dos personagens que é muito bem desenvolvido, e apesar do final um pouco óbvio eu ainda consegui me surpreender, e gostei muito do livro.

Achei interessante falar sobre a violência doméstica por que é uma questão importante do livro, e é um assunto que precisa ser discutido, pois fechar os olhos para isso justificando que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher é inaceitável.

Eu não sei onde precisamos mudar para suprimir esse tipo de violência, ela esta enraizada no machismo, que considera a mulher um objeto, um mercadoria, “algo” – não alguém – que não merece respeito, que nasceu para servir aos homens, que não tem direitos iguais. Como mudar essa cultura, é outra coisa que também não sei, e acho difícil que alguém saiba. Talvez, só talvez se pararmos de dividir, classificar, estereotipar os gêneros – por que para mim homens e mulheres só são diferentes biologicamente – podemos começar a melhorar essa questão.

É algo em que se pensar, espero que vocês tenham gostado da resenha e me desculpem pelo tom pessoal com o qual a escrevi, mais considero esse assunto muito importante e que precisa ser debatido.

O livro tem uma história fechada, mais assim com outras séries policias que narram diversas investigações de um mesmo detetive, como o Myron Bolitar do Harlan Coben e o Alex Cross do James Patterson, também temos mais livros do detetive Erlendur e sua equipe – Elinborg e Sigurdu Óli, esses nomes são muito engraçados.

Pela Record:
A Cidade dos Vidros - Skoob

Pela Cia das Letras:
Vozes - Skoob

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Nota:

23 comentários:

  1. Jú, amei a nova cara do blog, ficou muito mais bonito *-* Enfim, amei a resenha e concordo plenamente com você, quanto a revolta e a seriedade do assunto! No entanto, sou sensível demais a esses tipos de história, já vi bem de perto a violência doméstica e me abalo profundamente com livros assim, se eu ler com certeza correrei aqui pra te contar ;)

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    1. Oi Dani, obrigado.
      É um assunto que meche muito comigo também, quase desisti da história antes de comprar o livro, por que achei que seria muito forte para mim. Mas a curiosidade falou mais alto, eu adorei o livro, mesmo com essas partes que são realmente tristes. Se ler, me conta mesmo!

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  2. Cara, achei interessante demais a temática e o estilo da narrativa pelo que você falou. Gosto bastante de livros que narram duas épocas diferentes ( tipo o Perto de Casa, que narra anos 60 e anos 90) na mesma história.
    Nunca presenciei abuso familiar, mas ultimamente eu tenho lido muitas obras que falam sobra isso. A última foi O Iluminado, que tem várias passagens bem revoltantes. Eu não me abalo muito com esse tipo de coisa, talvez por nunca ter presenciado, mas acho triste e revoltante da mesma forma.
    E eu gosto de livros policiais que não sejam tão frenéticos e cheios de ação. Acho esse tipo de leitura chata, e repetitiva demais. ;/

    taiyounorakuen.blogspot.com

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    1. Oi Layn, realmente a narrativa do Arnaldur é bem diferente das que estamos acostumados a ver publicado por aqui.
      O tema do livro, é bem revoltante e triste, espero que possamos mudar esse quadro algum dia.

      Bjs

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  3. Nunca tinha lido uma resenha desse livro antes, mas whoa, adorei sua resenha!!
    O livro parece ser ótimo!
    E adorei seu sistema de notas hahaha uma graça! xD
    Beijos!

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  4. Oi Ju!
    Adorei o novo visual do blog..quanto ao livro sua resenha ficou otima, mas confesso que não faz bem meu gênero de leitura, eu tento ser mais eclética qt a isso mas o mundo que a gnt vive já e´tão dificil e ainda ler livros tão impactantes me deixam meio que frustada..rsrs

    Beijos
    Amanda
    leiturahot.blogspot.com

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    1. Eu não leio livros assim o tempo todo, mas confesso que gosto demais, mesmo sabendo que vou ficar triste, vai entender.
      Obrigado pelo elogio.

      Beijos

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  5. Oi Ju!
    Acho que é a primeira resenha que eu vejo sobre esse livro. Ele parece ser bem interessante, mas eu fiquei um pouco presa na parte que você diz que ele é um livro mais parado. Sei que você gostou dessa parte, mas acho que eu iria enjoar do livro, porque eu considero livros policiais bons quando eles são ágeis, dinâmicos, sabe?
    Mas parece ser um livro muito interessante mesmo!

    Adorei o novo visual do blog. Ficou mais clean! Gostei muito!

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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    1. Oi, é realmente para quem gosta de histórias mais dinâmicas esse livro não é muito recomendado. A narrativa me prendeu por isso amei tanto.
      Obrigado pelo elogio!

      Beijos

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  6. Oiii Juh... caramba seu blogger ficou muiito legal, assim.
    Amei, bem sóbrio, sem poluição, conseguimos ler com clareza.
    Ficou ótimo.

    Beijoos, linda!

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  7. Oie...
    Não conhecia esse livro mais a estória é muito interessante pois não se vê muitos livros do gênero que é algo muito polêmico.
    Ótima resenha!=]
    Tem post novo lá no blog, quer ler?
    http://falleninme.blogspot.com/
    Desde já obrigada pela visita lá no blog!

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    1. Eu gosto de um bom suspense policial, em outros livros que eu leio é raro encontrar um tema mais polêmico assim. Eu gosto, mas é muito sofrido.

      Beijokas

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  8. Violência doméstica é um assunto sério, que deveria ser mais exposto a sociedade e mais combatido, de dentro de casa e fora também. Achei o livro interessante, não seria algo que leria agora, livros com temáticas assim, mexem muito comigo, aliás, todo livro mexe de uma certa forma comigo, mas esses, com temas sérios e meio que 'obscuros' mexem mais :/

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com/

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    1. Esses temas mais sérios mechem demais comigo, e eu tenho que estar muito bem para lê-los, mais eu gosto, fazer o quê.

      Beijos

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  9. oi ju
    otima resenha.
    eu nao conseguiria ler esse livro, esses temas mais fortes mexem muito comigo, entao prefiro nao ler.

    http://lostgirlygirl.blogspot.com.br/

    bjos

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    1. Oi Mi,
      mexem comigo também, fiquei com muita raiva lendo essas partes, mais o livro é muito bom.

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  10. Oi querida, tema muito complexo esse.
    Estava conversando justamente ontem com meus pais sobre isso, acho um absurdo. Mas não sei se leria, acho que sou sensível e revoltada demais pra isso.

    Beijos,
    Marinah | Blog Marinah Gattuso

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    1. Tb acho, eu fiquei com o pé atrás em um primeiro momento, mas o livro é muito bom.

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  11. Adorei aqui, Lindas palavras...
    e com certeza ficarei :)

    espero sua visita, se gostar, ficarei feliz em te ver por lá!!

    Beijos
    http://momentosdapathy.blogspot.com.br

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  12. Confesso que não gosto de ler livros com temáticas de violência, quem me conhece sabe que qnd procuro um livro quero que ele me leve para um lugar melhor, diferente e que me dê esperança de um futuro melhor. Já temos muita violência nos jornais, revistas e telejornalismo. Mas reconheço que é importante discutir o assunto e incentivar as pessoas que passam por algum tipo de violência fazer uma denuncia a polícia.
    Gostei da sua resenha, bjos!!!

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Oi!! Eu falo muito abobrinha, então obrigado por comentar.

Lembre-se de ter cuidado com os spoilers, e sempre respeite as opiniões contrárias.