[Resenha] O conto da deusa




O conto da deusa - Nesta releitura de um conto milenar, a aclamada escritora de romances policiais Natsuo Kirino, ganhadora dos mais importantes prêmios do gênero, deixa de lado suas tramas urbanas para recriar um antigo capítulo da mitologia japonesa: a lenda das irmãs Izanagi e Izanami. Ambientada em uma ilha mística em forma de gota de lágrima, O conto da deusa é uma trágica história de amor e vingança, que reconta o mito da criação do Japão, com a marca inconfundível da autora. 

Autora: Natsuo Kirino | Editora: Rocco | Gênero: Fantasia | Série: Não | Nota: 4/5 



Fazia muito tempo desde a última vez que eu tinha lido um livro que fugia da minha zona de conforto, que nos últimos anos se resume a YAs, mas é sempre bom diversificar, e eu estava precisando disso. O conto da deusa foi um livro que eu comecei sem saber o que esperar, eu li tantas resenhas divergentes, que estava incerta sobre a história, felizmente o livro me agradou bastante. Eu nunca tinha lido nada sobre mitologia japonesa, então foi um ótimo jeito de começar a aprender, agora é correr atrás de mais.

O conto da deusa foi um livro que me provocou um misto de emoções, eu fiquei curiosa, surpresa, com raiva, ansiosa, e um pouco frustrada, eu torci tanto para Nanima, mesmo sabendo que o seu destino deveria ser trágico, e realmente, quebrou me coração, foi inevitável não ficar chateada com a tragédia que se desenrolava diante dos meus olhos.

A ilha em forma de lágrima, o lugar onde Namina nasceu, é um lugar cheio de tradições rígidas, e infelizmente para ela, isso será a sua ruína. A menina nasceu na família mais prestigiada da ilha, a que deveria prover a oráculo, a figura mais importante de toda aquela terra. Namina e sua irmã mais velha são inseparáveis, mas um dia é anunciado que Kamikku irá se tornar a próxima oráculo, a menina ainda jovem, deveria ser treinada, e para isso precisaria deixar a casa da família, e viver isolada com a avó, do outro lado da ilha. Não bastasse esse duro golpe, Nanima ainda é anunciada como a impura, fato este que trará grande estigma para a sua vida.

Estamos em tempos imemoriais, na formação do lugar que hoje conhecemos como Japão, as tradições determinam a vida de todos, até mesmo antes do nascimento, e independente da vontade, Namina cresceu sem entender o por que era impura, o por que as pessoas a evitavam, e isso sentenciou o seu futuro. Enquanto crescia, Namina foi incumbida de levar comida para Kamikku, não podendo manter nenhum contato com ela,  a comida considerada sagrada, era levava todos os dias pela menina, que não tinha permissão para tocar em nada, a regra era "o que sobrasse deveria ser descartado", injusto eu sei.

É por isso que quando encontra um jovem esfomeado que implora ajuda, Nanima não consegue dizer não, mesmo sabendo que esta desobedecendo as leis da ilha, e dá as sobras das refeições para ele alimentar sua família. Eventualmente, com tantos encontros, os dois acabam se entregando um ao outro, e tudo começa a desmoronar. Mahito e Nanima não podem ficar juntos, é a lei, mas a jovem engravida, e para escapar de um destino cruel, os dois decidem fugir para Yamato e lá criar sua filha. Esse é o começo do fim.

Eu sou apaixonada por mitologia desde que eu me entendo por gente, fui totalmente influenciada por séries como Xena e Hércules, lembro de ficar pesquisando em enciclopédias que tinha aqui na minha casa, já que naquela época eu não tinha internet faz tempo isso hein, eu fingia ser historiadora, me sentindo a caçadora de relíquias. Dessa forma, eu sempre fico fascinada por histórias mitológicas e O Conto da Deusa, atendeu minhas expectativas, foi o meu primeiro contato com a mitologia japonesa, e eu fiquei super curiosa para conhecer mais.

Junto com a história de Nanima, a autora nos conta o mito da criação de Yamato, a lenda de Izagani e Izanami, entrelaçando seus destinos, e que sofrimento, fiquei triste por todos. Geralmente histórias mitológicas não tem finais felizes, e é inocência esperar algo ao contrário, mas eu sempre espero, e inevitavelmente acabo sofrendo. Os dois deuses tem seus momentos na história, o que nos deixa loucos para entender suas ações e compreender seus sentimentos. Eu juro que não esperava aquele final, estava esperando por algo mais água com açúcar, e é claro que quebrei a cara. Recomendo!

2 comentários:

  1. Nunca li nada da mitologia japonesa, acho que pegarei sua dica quando puder ler algo sobre. Me pareceu uma história bem triste mesmo, mas muito interessante. Dica anotada!

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. Nossa Ju que interessante, não conhecia esse livro e fiquei curiosa após ler sua resenha.
    Também gosto de mitologia e penso que deveria existir um livro com toda mitologia mundial. Assim pessoas como nós poderiam ter todas as informações sobre os mitos de todos os povos.
    Valeu pela dica. Beijos

    Leituras, vida e paixões!!!

    ResponderExcluir

Oi!! Eu falo muito abobrinha, então obrigado por comentar.

Lembre-se de ter cuidado com os spoilers, e sempre respeite as opiniões contrárias.